
Quem foi Saddam Hussein?
Saddam Hussein nasceu na aldeia Al-Awja, pertencente à cidade muçulmana sunita de Tikrit, situada a 150 quilômetros de Bagdá. Nascido no mesmo lugar que o lendário Saladino e descendente de uma família de camponeses. Saddam, ainda na adolescencia, se mudou para Bagdá.
Em 1956, aos dezenove anos, aderiu ao Partido Socialista Árabe Ba'ath (fundado na Síria por Michel Aflaq) e, no mesmo ano, participou de um golpe de Estado fracassado contra o rei Faisal II. Dois anos depois, participou de outro golpe, dessa vez contra Abdul Karim Qassim, carrasco do monarca e líder do novo regime golpista. Acusado de complô, foi condenado à morte à revelia em fevereiro de 1960, sentença da qual conseguiu escapar fugindo para o Egito e através da Síria, onde as autoridades lhe concederam asilo político.
No Cairo, concluiu seus estudos secundários e foi admitido na Escola de Direito - terminaria a faculdade anos depois, em 1968 -, onde se relacionou com jovens membros do Partido Ba'ath egípcio, de inspiração esquerdista e pan-árabe. Acabou sendo perdoado e voltando a Bagdá após a revolução liderada pelo partido Ba'ath em fevereiro 1963. Saddam assumiu o comando da organização militar do partido. No ano seguinte, voltou à prisão, que só deixaria três anos depois.
Características do governo de Saddam Hussein.
O governo de Saddam se tornou verdadeiramente autocrático, onde ele se auto-intitulou El-Raïs el-Monadel (o Presidente Combatente). Seu governo foi marcado pela execução de centenas de oposicionistas e a morte de 5.000 curdos em Halabja, em consequência da intoxicação provocada pelas bombas de gás Tabun lançadas pela aviação iraquiana.
Cartazes com retratos seus espalhados por ruas e avenidas de todo o Iraque, criação de uma imagem de islamita devoto e bom pai de família (embora fosse considerado um cético do ponto de vista religioso e apreciasse bebidas alcóolicas proibidas pelo Islão), eliminação violenta de toda a oposição política, censura à imprensa Saddam acabou por parecer, aos olhos do iraquiano comum, como o retrato da autoridade infalível, ainda que tirânica.
E como todo o tirano, Saddam Hussein sempre temia que inimigos políticos o derrubassem. Construiu 23 palácios para uso pessoal, todos permanentemente vigiados, jamais dormia duas noites seguidas no mesmo local e, jamais ingeria comida que não tivesse sido testada e provada por gente de sua confiança.
A ambição de Saddam por tornar-se o líder mais poderoso do Oriente Médio o levou a declarar guerra ao Irã dos aiatolás. Nessa época, inclusive, ele chegou a receber apoio norte-americano, uma vez que os EUA temiam as conseqüências da ascensão da Revolução Islâmica na região. Usando como pretexto a disputa por poços de petróleo, as relações entre Irã e Iraque deterioraram-se rapidamente.
Xiitas e Sunitas no Iraque.
No Iraque cerca de dois terços da população são xiitas. Eles eram oprimidos pelo partido Baath de Saddam Hussein composto sobretudo por sunitas.
Relações políticas e econômicas do Iraque com os Estados Unidos nos últimos 20 anos.
A aproximação entre EUA e Iraque na década de 80 foi idealizada pelo governo de Ronald Reagan e seu vice, George Bush. Na avaliação deles, o Iraque e seu novo líder Saddam poderiam simbolizar um novo tipo de estado árabe, moderado e alinhado com o Ocidente. Os americanos colaboraram com o Iraque na guerra contra o vizinho Irã, país que viu radicais islâmicos anti-EUA tomarem o poder.
Visita - Na metade da década de 80, Reagan enviou um de seus aliados políticos, Donald Rumsfeld, para Bagdá. Sua missão era conversar com Saddam e melhorar a relação entre os países. Alguns anos depois, Rumsfeld fazia parte de equipe de governo que participou da Guerra do Golfo. Em 2002, como secretário de Defesa, tornou-se um dos principais defensores da nova guerra contra Saddam.
A curiosa mudança de posições teve sempre como pano de fundo o polêmico regime de Saddam Hussein, que chegou a conquistar elogios internacionais por programas humanitários e de educação. Porém, descobriu-se depois que o regime iraquiano promoveu reformas às custas do sofrimento de boa parte da população, que perdeu seus direitos individuais, foi oprimida e acabou ainda mais miserável.
Arsenais - O ponto de virada na cooperação entre EUA e Saddam foi registrado na segunda metade dos anos 80, quando Saddam usou armas químicas contra sua própria população. A reação interna e externa ao caso afastou os dois governos. A tensão se intensificou quando descobriu-se que Saddam tentava obter armas nucleares. No entanto, os EUA só mudaram de lado no dia 2 de agosto de 1990.
A invasão do Kuwait por tropas iraquianas evidenciou o risco que Saddam Hussein representava. Os EUA saíram em defesa do país invadido e iniciaram a Guerra do Golfo. Apesar da vitória, não foram a Bagdá para derrubar Saddam. "Poderíamos ter avançado até lá em 48 horas, e fazer daquilo tudo um inferno", disse Donald Rumsfeld. "Mas aí estaríamos fazendo um tirano bruto e derrotado se transformar num mártir."
v Interesses anglo-americanos
v A questão religiosa
v O petróleo
v Interesse turco
v Controle político regional
v A oposição Teuto-francesa
v O mundo e o conflito
v O Brasil e o Conflito
v O pós-guerra
Conseqüências:
v Ocupação do Iraque
v Recrudescimento dos conflitos religiosos
v Atentados contra soldados americanos e ingleses
v Aumento da instabilidade política na região
v Crescimento do anti-americanismo
v Crescimento do anti-semitismo entre os árabes
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